O uso de máscaras é medida de baixo custo e eficiente para conter a transmissão do Sars-Cov-2. No Brasil o Governo Federal diminuiu sua importância. Nos Estados foi mais instrumento para viabilizar a flexibilização do que para proteção.

Principais Conclusões:

  • O uso de máscara como barreira na propagação de gotículas respiratórias é procedimento comprovado de controle da pandemia e insistentemente recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
  • Segundo o Institute of Health Metrics Evaluation da Universidade de Washington, o uso de máscaras por 95% da população brasileira evitaria 25 mil mortes no país até 1o de dezembro.
  • O Brasil não contou com uma política nacional sobre o uso de máscaras até julho, sendo que mesmo assim, as medidas para seu uso obrigatório não foram coordenadas nem controladas pelo governo federal.
  • Os estados e o DF adotaram medidas para uso de máscaras. Até o final de abril, 13 estados haviam adotado alguma medida para obrigar o uso de máscaras em público. Até o final de maio, 24 estados haviam decidido pela obrigatoriedade de máscaras;
  • A maior parte dos estados adotou medidas de incentivo ao uso de máscaras no mesmo momento em que flexibilizaram as medidas de fechamento de comércio, de serviços e de restrição às aglomerações.
  • A falta de fiscalização, de programas e a massificação de ações, além da desinformação, rebaixaram a importância do uso de máscaras e reduziram a capacidade de proteção da população mais vulnerável.
  • Com essas características, as máscaras no Brasil, em contraste com a experiência de outros países, deixaram de ser eficazes, apesar de seu baixo custo, e mostraram impacto limitado na contenção das taxas de infecções e óbitos por conta da COVID-19.

Responsáveis

Coordenação: Lorena Barberia (USP) e Tatiane C Moraes de Sousa (Fiocruz)

Pesquisadores:

  • Luiz Guilherme Roth Cantarelli (DCP-USP)
  • Maria Letícia Claro (DCP-USP e CEPESP/FGV)
  • Isabel Seelaender Costa Rosa (DCP-USP)
  • Pedro H. de Santana Schmalz (DCP-USP e CEPESP/FGV)
  • Marcela Mello Zamudio (DCP-USP e CEPESP/FGV)