Vacinação prioritária contra Covid-19 para trabalhadores da saúde no Brasil

Principais conclusões

  • A vacinação é essencial para conter a pandemia e propiciar condições sanitárias adequadas para a população. O Brasil, apesar do cenário epidemiológico caracterizado por altas taxas de transmissão e de óbitos, iniciou tardiamente a vacinação no dia 18 de janeiro de 2021.
  • Estima-se em dez milhões de doses a quantidade de vacinas contra a Covid-19 minimamente necessária para a cobertura da força de trabalho em saúde no Brasil, o que está acima do volume de oito milhões de unidades inicialmente previsto pelo Ministério da Saúde.
  • Trabalhadores da saúde devem ser prioritariamente vacinados, pois preservam a capacidade do sistema de saúde durante a pandemia, têm risco aumentado de exposição e podem transmitir o vírus a outros profissionais e a pacientes suscetíveis.
  • As fontes de informações baseadas em vínculos formais de trabalho ou registros em conselhos profissionais são parâmetros insuficientes para o dimensionamento da vacinação e da definição de elegibilidade de profissionais da saúde a serem vacinados.
  • Apesar da urgência, o país segue sem metas objetivas e prazos definidos e até mesmo sem saber quem são e quantos são os que compõem os grupos prioritários.
  • A ausência de planejamento, a omissão de informações, os atrasos na aquisição de itens estratégicos e a falta de insumos para o enfrentamento da Covid-19 têm sido constantes no longo intervalo de tempo desde fevereiro de 2020, quando foi registrado o primeiro caso no país, até janeiro de 2021.
  • A troca de prefeitos eleitos nas últimas eleições municipais e a corrida paralela de governos estaduais exigem concertação e liderança sanitária nacional, atualmente inexistente.
  • Conflitos federativos, escolha limitada de imunizantes, oferta insuficiente de doses e inconsistências do plano nacional de imunização ainda ameaçam a perspectiva de acesso universal à vacinação contra Covid-19 no Sistema Único de Saúde (SUS).

Equipe responsável

Autor: Mário Scheffer (Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP)

Agradecimento: Guilherme Jacob (pela análise de informações a partir de microdados e cálculo de limites de confiabilidade da Pnad Contínua)