Crianças e jovens menores de 12 anos permanecem sem acesso à vacina para a COVID-19 no Brasil, e apenas 8% dos jovens entre 12 e 17 anos contam com a imunização completa. Em momento delicado de retorno às aulas presenciais, essa população com menos de 18 anos, que representa quase 25% da população do país, tem sido negligenciada nos esforços em detectar o vírus por meio do uso de testes e nas análises sobre o possível aumento na incidência de casos, hospitalizações, óbitos e sequelas causadas pela infecção por COVID-19.

Principais Conclusões

  • Aproximadamente 18,1 milhões dos adolescentes nas faixas etárias entre 12 e 17 anos começaram a receber imunizantes para proteção para o SARS-CoV-2 em setembro de 2021. No início de outubro, 8% dessa faixa etária contavam com a imunização completa com duas doses e 70% contam com a imunização com uma dose. Aproximadamente 5 milhões de brasileiros nessa faixa etária ainda não tinham recebido nenhuma dose.
  • Enquanto aumenta a taxa de vacinação de adultos e adolescentes de 12 anos ou mais no Brasil, as crianças de menor idade não são elegíveis para a vacinação contra o SARS-CoV-2. Utilizando a estimativa do IBGE de que a população de 0-11 anos no Brasil representa 16,6%, há, aproximadamente, 35,2 milhões de brasileiros que não contam ainda com uma aprovação de vacina imunizante para a COVID-19.
  • Com o retorno presencial, os protocolos de biossegurança, que são o instrumento de gestão de risco, também se mostraram insuficientes na adoção de medidas recomendadas e eficazes no combate à transmissão do vírus SARS-CoV-2 nos ambientes escolares. Os governos estaduais e municipais do país, portanto, flexibilizaram precocemente a política de fechamento das escolas sem ampliar a testagem e reforçar as medidas preventivas, principalmente no que diz respeito ao cenário epidemiológico ainda pouco favorável ao retorno presencial.
  • No Brasil, a testagem para detecção de casos positivos de infecção pelo SARS-CoV-2 em crianças e adolescentes é menor do que em outras faixas etárias. No caso do estado de São Paulo, por exemplo, 2,7% dos testes de RT-PCR realizados na rede pública se referiram a crianças entre 3 e 11 anos e 3,1% a adolescentes entre 12 e 17 anos em 2020. Com a reabertura do ensino presencial, em 2021, somada a piora da pandemia no 1º semestre de 2021, aumentou a testagem nestes grupos; porém, embora permaneça inferior ao restante da população. Em 2021, no caso do Estado de São Paulo, apenas 4,6% dos testes RT-PCR realizados na rede pública se referiram a crianças entre 3 e 12 anos, e 4,7% a adolescentes entre 12 e 17 anos de idade.
  • As taxas de crianças e adolescentes hospitalizadas, inclusive precisando de ventilação mecânica e outros cuidados intensivos, e mortas pela COVID-19 no Brasil continuam altas em 2021. A letalidade hospitalar tem se mantido entre 4 e 5%.
  • Não há ainda estudos dedicados a avaliar COVID Longa em crianças e adolescentes no Brasil. Ainda que o risco de apresentarem quadros graves da doença em comparação com outras faixas etárias seja menor, há evidências de sequelas da infecção por COVID-19 em crianças e adolescentes, mesmo após quadro leve da infecção na fase aguda.

Equipe responsável pela Nota Técnica Nº36

Equipe:

  • Lorena Barberia (USP)
  • Tatiane C Moraes de Sousa (Fiocruz)
  • Leonardo S Bastos (Fiocruz)
  • Krerley Irraciel Martins Oliveira (IM/UFAL)
  • Maíra Meyer (USP)
  • Dara Aparecida Vilela Pinto (USP)
  • Marcela Mello Zamudio (DCP-USP)
  • Rebeca de Jesus Carvalho (FGV-CEPESP)
  • Luiz G. Roth Cantarelli (USP)
  • Pedro Schmalz (USP)
  • Verônica Coelho (InCor-HC-FMUSP e Observatório Covid-19 BR)
  • Mauricio Maciel Ferreira (IM/UFAL)
  • Alexandra Boing (Universidade Federal de Santa Catarina e Observatório COVID-19 Br)