Investimento inexpressivo e falta de estratégia brasileira para pesquisa e inovação vão dificultar a saída da crise

Conclusões Principais

  • A saída efetiva da crise depende da capacidade humana de produzir vacinas, medicamentos e tratamento adequado para a Covid-19. Por isso, além das medidas de controle da pandemia e suas consequências econômicas e sociais, muitos países ampliam o investimento em pesquisa e em inovação e desenham novas estratégias científicas contra o vírus e de preparação para o pós-crise.
  • Somente nos EUA foram alocados mais de US$6 bilhões exclusivamente para pesquisas sobre a Covid-19, cerca de 4% do investimento em P&D realizados pelo governo em 2019. O Canadá ampliou em cerca de 12% os investimentos federais em P&D. E novas políticas públicas na Alemanha e Reino Unido procuram garantir e acelerar sua capacidade de recuperação no pós-crise.
  • A tradicional dependência científica e tecnológica do Brasil se tornou visível para a população com a escassez de equipamentos e testes para o combate à Covid. Essas lacunas poderiam ser minimizadas com uma estratégia coordenada de investimento em P&D, o que até agora não ocorreu.
  • O governo federal publicou apenas dois editais no valor de R$ 60 milhões, com resultados previstos para junho. O que significa que até o momento, o governo brasileiro não está financiando nenhuma pesquisa sobre a doença com recursos novos. O que é chocante, não tanto pelo volume bem menor investido pelo Brasil, mas pela inação diante da crise. Mesmo com recursos menores, o Brasil poderia fazer muito mais.
  • Esse posicionamento do governo federal condena o Brasil a ser apenas um usuário de C&T. A exemplo do que ocorreu em outras pandemias de menor porte, sem estratégias para o desenvolvimento de vacinas e outros medicamentos, o país corre o risco de ficar completamente desprovido de eventuais vacinas, equipamentos e insumos médicos que serão orientados para abastecer os países com maior competência científica e maior poder de compra.

Responsáveis

Coordenação: Fernanda De Negri e Priscila Koeller (IPEA/Centro de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Sociedade)

Pesquisadores:

  • Graziela Zucoloto (IPEA)
  • Pedro Miranda (IPEA)