Estratégias Diferenciadas e Falta de Padrão nas Testagens Dificultam o Enfrentamento da Pandemia, Enfraquecem as Decisões de Flexibilização e Aumentam a Insegurança da População

Principais conclusões:

  • O Brasil é o que menos testa entre os 20 países com maior taxa de óbitos por Covid-19. Além de não realizar o volume de testes necessários, o Brasil tampouco realiza testes suficientes para identificar a proporção de brasileiros que já manteve contato com o vírus.
  • A lacuna de informação sobre a presença e circulação do vírus entre a população está na base da subnotificação de casos positivos e deixa as decisões de distanciamento físico e de flexibilização mais sensíveis à pressão dos negócios, à política ou à subjetividade.
  • A média de positividade dos testes no país foi de 36% em junho de 2020, sendo que a recomendação da OMS é de até 5%, patamar não alcançado por nenhum estado brasileiro.
  • Grande parte dos estados torna público apenas o total de testes, sem classificação por tipo que, como se sabe, têm eficácia distinta na identificação do vírus. Somente 14 estados prestam contas do número de testes RT-PCR, que identifica mais precisamente as pessoas infectadas, e do número de testes que apontam as pessoas que já tiveram contato com o vírus e possuem anticorpos (IgM e IgG).
  • As secretarias de saúde do Acre, Amapá, Goiás, Rondônia, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo e Tocantins não apresentam nenhuma informação sobre os testes realizados em suas plataformas oficiais;
  • Somente 07 estados apresentaram uma taxa de positividade inferior a 20% na primeira semana de junho. E até o dia 20 de junho a testagem com resultados positivos era alta em todos os estados.

Responsáveis

Coordenação: 

Tatiane C Moraes de Sousa (Fiocruz), José Eduardo Krieger (Incor-FMUSP) e Lorena Barberia (DCP-USP).

Pesquisadores:

  • Luciana Sarmento Garbayo (University of Central Florida/UCF)
  • Michelle Fernández (UnB)
  • Fabiana da Silva Pereira (Ciência Política – DCP/USP)
  • Vanessa Trichês Pezente (Fiocruz)
  • Isabel Seelaender Costa Rosa (Ciência Política – DCP/USP)